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Bem-vindo ao blog ao novo blog Saperlipopette !

Le mot Saperlipopette est délicieusement désuet, et qui fait rire les enfants. Il s’agit d’une juron gentil, amplification plaisante de “saperlotte”, qui est né aux alentours de 1860. Saperlotte quant à lui est une altération de “sacrelote”, qui est lui-même une altération de “Sacredieu” (il y a eu plusieurs dérivés qui permettaient d’éviter le blasphème -prononcer le nom de Dieu étant blasphématoire- tels que Sacrebleu ou Sacredienne, qui permettaient d’éviter les ennuis. Le suffixe “Lotte” n’a jamais trouvé d’explication plausible.).

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Primavera em Paris

Com os frutos nas árvores

Paris se abre para a primavera
Os livros também brotam nas árvores (em saint-germain-des-prés, verídico !)
A morte passa

Chega a vida
Sopro pro amor.

***

Printemps à Paris

Avec les fruits sur les arbres

Paris s’ouvre pour le printemps

Les livres, ils aussi se font germer sur les arbres (à Saint-Germain-des-Prés, véridique !)
La mort s’en va
La vie arrive
Souffle d’amour.

Exposição Diane Arbus – Paris

Fui à exposição de fotografias da americana Diane Arbus (1923-71) que veio de NY e ficará até o inicio de fevereiro/2012 no Jeu de Paume (galeria que fica dentro dos jardins des tuileries, 8eme, Paris).

 

Ela saia por Nova York (décadas de 60/70) e por outros estados americanos com a câmera nas mãos, procurando expressões faciais das pessoas e sobretudo suas expressões corporais. Ia aos centros de nudismo, aos circos, parques, bares, onde captava os traços de crianças, velhos, travestis, artistas, transformistas, pessoas doentes. São fotos em PB que levam o espectador a um deslocamento no tempo e no espaço, momento e local onde a foto ocorreu. Ela dizia que precisava tirar fotos pois essa era a única maneira de mostrar as pessoas a forma como ela via o mundo. Isso nos leva a pensar que a fotografia, assim como as demais linguagens artísticas, e um retrato subjetivo do mundo, sua interpretação. D Arbus dizia também que precisava manter vários objetos em seu quarto, nas estantes e paredes, de vez em quando mudando-os de lugar, de forma que eles estivessem expostos, mas que ficassem as vezes imperceptíveis. Isso a ajudava a se organizar no mundo. Foi um prazer para os sentidos.
J’ai regardé l’exposition de photographies de l’artiste américaine Diane Arbus (1923-71). L’exposition est venue de NY et vais rester au Jeu de Paume (jardins des tuileries, 8eme, Paris) jusqu’au 5 février 2012.

 

Diane Arbus se promenait dans des endroits de NY (pendant les années 60/70) et aussi autour d’autres états américains avec une caméra dans ses mains, en cherchant les expressions faciales des gens mais surtout leur expressions corporelles. Elle allait aux centres de nudisme, aux cirques, parques, bistrots, où elle ramassait de traces des enfants, vieilles, artistes, travestis, transformistes et de gens malades. Les photos, toujours en noir et blanc, prennent le spectateur à un déplacement dans le temps et l’espace, au moment même où la photo a été prise. L’artiste disait qu’elle avait besoin de prendre des photos comme la seule manière de montrer aux gens la façon dont elle voyait le monde, son interprétation. Elle disait aussi qu’elle avait besoin de maintenir des objets dans sa chambre, dans l’étagères et les murs, les déplaçant des temps en temps, afin qu’ils fussent exposés mais qu’ils fussent, en même temps, parfois imperceptibles. Cela l’aiderait à s’organiser dans le monde. Vous voyez, ça a été un plaisir pour les sens.
Paris, 17/01/2012.

Exposition “Matisse, Cézanne, Picasso… L’aventure des Stein” Janvier 2012 au Grand Palais – Paris

“Dica” est une recommandation qu’on fait a quelqu’un avec qui on a une affinité remarquable, alors la “dica” ouvre la voie…

Voilà: réunions les samedis au coeur de Paris pour parler de l’art, de la littérature, du monde sensible, de l’acte de création! Je voudrais avoir vécu dans une telle atmosphère. J’étais complètement absorbée par l’exposition, toute imprégnée. Pure couleur, aucun trace – fauvisme, donc.

Encontro com Walter Salles Junior em Paris

O cineasta Walter Salles Jr esteve em Paris (Université Paris Saint Denis – Paris 8) para uma conferência sobre o seu novo Road Movie que se chama “Na Estrada” (produção de Francis Ford Coppola). O filme será lançado no Festival de Cinema de Cannes em Maio próximo. Walter Salles Jr vem realizando ao longo de sua carreira vários filmes do gênero, como “Terra Estrangeira” (1995), “Central do Brasil” (1998) e “Diários de motocicleta” (2004).

O estilo Road Movie tem para o cineasta uma relação íntima com a identidade do Brasil. Um pais jovem, cuja origem está ligada a uma raça nômade que se reinventa a todo momento. Há uma proximidade com a forma narrativa da Odisseia, cujo herói carateriza-se por essa errância. Mas a identidade brasileira é também, e sobretudo, ligada ao tema de um futuro possível, em movimento.

“Na estrada” é um relato magnífico do que significa ser jovem, estar antes de tudo em experimentação. Nesse ponto, o olhar de Walter Salles Jr assemelha-se ao Road Movie europeu: há alguém que esta na estrada, aberto para o imprevisto. Nessa fuga, uma espécie de mal-estar, uma crise, uma perda. Um sentimento de nostalgia, angustia em relação a perda do passado. Nostalgia pesada, forte, e também um certo prazer em se deixar embalar por esse sentimento. Porém, essa errância, além de existencial, pode ser uma errância social e política. No caso do Brasil, em que grande parte das famílias carece da figura paterna, há uma pressão para que os jovens cresçam mais cedo. Essa pressão no interior das famílias gera a errância nos jovens, que devem cair na estrada.

Portanto, o que caracteriza o Road Movie é o mergulho na estrangeiridade para encontrar, ali onde não há nada nem ninguém, a própria voz e visão sobre a Historia. Esta seria, então, a definição mais precisa de liberdade.

Por fim, Walter Salles Jr comenta o cinema na era digital: se o cinema é aquilo que dá as notícias e traz as novidades do mundo, ele o faz por meio do invisível que completa o visível. Resta a questão: será que a câmera digital diz muito, mostra muito? Será que ela não nos cega, então?

Paris, abril de 2012.

* * *

Le réalisateur Walter Salles Junior a été à Paris (Université Paris Saint Denis – Paris 8) pour une rencontre sur son nouveau Road Movie qui s’appelle “Sur la route” (production de Francis Ford Coppola). La sortie sera au Festival de Cinéma de Cannes, Mai 2012. Walter Salles Jr a fait tout au long de son carrière une série de films de ce genre, comme “Terre Lointaine” (1995), “Central du Brésil” (1998) et “Carnets de Voyage (2004).

Le style Road Movie a pour le réalisateur une relation intime avec l’identité du Brésil. Un pays jeune, dont l’origine est liée à une race nomade qui se réinvente à chaque instant. Il y a une proximité à la forme narrative de l’Odyssée, dont le héros est caractérisé par cette errance. Mais l’identité brésilienne est aussi et surtout, liée à la question d’un avenir possible en mouvement.

“Sur la route” est un magnifique compte-rendu de ce qui signifie être jeune, être avant tout  en expérimentation. À ce stade, le regard de Walter Salles Jr ressemble à celui du Road Movie européen: il y a quelqu’un qui est sur la route, ouvert à l’inattendu. Sur ce vol, une sorte de malaise, une crise, une perte. Un sentiment de nostalgie, le chagrin comme conséquence de la perte du passé. Nostalgie lourde, forte, et aussi un certain plaisir d’être emballé  par ce sentiment. Toutefois, cette errance est à la fois existentiel, mais aussi peut être une errance sociale et politique. Au Brésil, où la plupart des familles manquent d’une figure paternelle, il y a une pression pour que les jeunes grandissent très tôt. Cette pression au sein des familles crée l’errance chez les jeunes, qui doivent prendre la route.

Ainsi, ce qui caractérise le Road Movie est de plonger dans l’étrangeté pour trouver, la où il n’y a ni rien ni personne, sa propre voix et vision de l’histoire. Ce serait d’ailleurs la définition la plus précise de ce qui est la liberté.

Enfin, Walter Salles Jr laisse une remarque sur le cinéma à l’ère digitale: si le cinéma est ce qui nous amène les nouvelles du monde, il le fait en complétant le visible par l’invisible. La question qui demeure est donc: la caméra digitale, en dit-elle trop, en montre-elle beaucoup? L’image, est-ce qu’elle nous aveugle, donc ?

Paris, avril 2012.

Sobre a moral e os bons costumes

Minha mãe sempre disse que as opções sexuais das pessoas (e dos filhos) não têm a mínima importância. E que sentiria que errou muito na educação se tivesse um filho com desvios morais. Um grande fracasso para ela seria, por exemplo, ter filhos que roubam, mentem ou enganam.

Ela é freudiana no sentido mais estrito do adjetivo. Freud colocou foco no sexual e na possibilidade do erotismo acontecer por todo o corpo. Por isso, existem infinitas formas de amar – no sentido sexual – e também de escolhas amorosas – nem sempre conscientes –  a depender da historia de cada um, do grupo social, etc. Esse pensamento trouxe uma grande liberdade para as pessoas no século XX – e espero que assim permaneça e avance pelo XXI. Freud ensinou, ainda, que a maneira como amamos envolve padrões precoces de relação do Eu – ainda não inteiramente formado – com o primeiro não-eu: o outro, a mãe.

Nesta semana, após a aprovação em Paris da lei que permite que pessoas do mesmo sexo se casem, tomamos conhecimento de que no Brasil, ao contrario, caminhamos “para trás”. Soubemos que uma comissão da Câmara aprovou em Brasília a proposta que suspende o trecho da resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede os psicólogos de colaborarem com eventos e serviços que ofereçam tratamento e cura de homossexualidade, alem de vedar manifestações que favorecam o preconceito contra homossexuais. Pelo que entendo, o trecho do Conselho quer justamente organizar certas condutas éticas a fim de impedir preconceitos e o mal uso de tratamentos psicológicos que estes (os preconceitos) possam gerar. Portanto, abolir uma resolucao como esta poderia dar margem a psicologos se posicionarem a favor de tratamento para homossexuais – no sentido de se tornarem ‘hetero’. E este fato desemboca em algo como “a cura gay“. Ora, das questões relacionadas a psicologia não entendo muito. Mas posso falar um pouco (eu acho !) em relação a psicanálise.

Em resposta a mãe de um homossexual que indagou-lhe se a psicanálise poderia “curar” seu filho, Freud diz que não vê a homossexualidade como doença e que tampouco se trata de suprimi-la em favor da heterossexualidade. A psicanalise pode, contudo, trabalhar para que as forcas pulsionais se tornem suportáveis para o sujeito que busca sentido para seu sofrimento. E assim este ser pode se tornar mais harmônico em sua instabilidade – mas isso nao e garantido, diz Freud.

Vemos, portanto, um problema de mães, muitas delas adeptas da psicologia do “joelhaço”: escreveu não leu, pau comeu! Para endireitar pau torto, só com surra de pau mole!

Bem, nos dias atuais não há mais surra de pau mole, menos ainda duro. Mesmo porque este ato seria punível. A mãe certamente iria presa e – como os baderneiros da rua, aqueles que aproveitaram da manifestações ocorridas a partir do mês de junho no Brasil para diminuir a forca do movimento – exclamaria: I deeply regret having been so hard. Seria logo posta em liberdade e, em seguida, sem antes sequer parar para fumar um cigarro ou retocar o batom, passaria na casa da cunhada e convidaria: Estou pensando em ir ao enterro de Madiba, quer vir junto?

Paris, 29/07/2013, modificado em 29/09/2013, modificado em 20/10/2013.